"Não tenho filhos, mas se tivesse faria de tudo para não
deixar que se tornassem professores. É o que farei com meus sobrinhos".
Desta forma o educador Oscar Eduardo Magnusson resume o sentimento que
acompanha os profissionais da categoria. Com salários desvalorizados, carga
horária intensa em sala de aula e trabalho constante em casa, os professores
estão cansados.
Resultado: cada vez menos gente procura uma formação na área. O
panorama é desalentador e não há perspectiva de melhora em um curto espaço de tempo.
Contudo, alguns especialistas analisam a situação por outro ângulo. Com a baixa
procura pela profissão, a demanda por docentes seguirá alta. Uma perspectiva
positiva em um horizonte obscuro.
O desânimo dos profissionais da Educação, cujo rendimento médio
mensal é o pior no País, segundo o relatório Professores do Brasil: Impasses
e Desafios (realizado pela Unesco e pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) em 2009), se reflete em uma procura cada vez menor por cursos de
Pedagogia ou licenciaturas. O último Censo da Educação Superior, divulgado no
ano passado, mostra que apenas a metade das vagas são preenchidas nas
faculdades de Pedagogia. Consequentemente, a quantidade de formados vem caindo.
Em 2005, cerca de 103 mil alunos concluíram o curso. Em 2009, esse número caiu
para 52 mil. Nas licenciaturas, o cenário se repete: 77 mil formados em 2005, e
64 mil quatro anos depois.
Segundo o pedagogo Hamilton Werneck, nos últimos quatro anos
foram fechados 200 cursos de Pedagogia no Brasil. "Soube recentemente que,
no Maranhão, um professor deixou a função e foi ser bombeiro, cujo salário
inicial é de R$ 2,5 mil. Prestará um inestimável serviço àquele Estado, no
entanto, a Educação, por salários reduzidos, perdeu um profissional. A nova
geração não quer mais ser professor", afirma.
Trabalhando em quatro escolas diferentes, o professor de
Português da rede pública e particular de Indaiatuba (SP) Oscar Eduardo
Magnusson, citado no começo da matéria, já está cansado. "Depois de 20
anos lecionando, me arrependi de ter escolhido esta profissão. Não melhora
nunca", desabafa.
Neste
ultimo sábado, dia 15 de outubro, se comemorou o Dia Dos Professores. Fiquei
pensando: O que se tem para comemorar?
É
necessário, para que o professor desempenhe sua profissão com amor e dedicação,
o mínimo de valorização. Será que a gestão política deste país não vê que os professores
são responsáveis pela principal base do ser humano? Se não fosse o
conhecimento, a educação, não passaríamos de meros animais que não pensam, não
tem poder de escolha, não tem a liberdade e juízo para escolher.
Baixos
salários e condições precárias de recursos para exercer seu trabalho. Essa é a situação absurda
vivida pelos professores. Demonstra o que chega a ser quase uma humilhação ou
exploração a qual o governo submete os que deveriam ser considerados os mestres
de quem um dia será o futuro deste país.
Diante desta grande falta de respeito aos professores, me
questiono mais uma vez: O que se tem
para comemorar? É, acredito que nada. Temos é que usar este dia como exemplo de luta, e caminhar nesta luta durante cada dia, até que esse governo arrogante e prepotente se curve, e crie consciência de que alguém só tem amor e paixão pelo que faz, quando recebe motivação, apoio e reconhecimento.
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