Itália aprova plano de 45,5 bi de euros para conter crise
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O governo italiano aprovou nesta sexta-feira em um Conselho de Ministros extraordinário um novo plano de ajuste orçamentário de aproximadamente 45,5 bilhões de euros com o qual pretende acalmar a inquietação dos mercados sobre a situação que atinge as finanças públicas do país. Com este pacote, que inclui tanto medidas de economia como arrecadatórias, o governo do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, espera balancear as contas da Itália, cuja dívida pública supera 120% do PIB (Produto Interno Bruto), e alcançar o equilíbrio orçamentário em 2013, como lhe exigiu o BCE (Banco Central Europeu).
Após dias de críticas pela falta de clareza sobre como pretendia cumprir a meta imposta pelo BCE de reequilibrar o Orçamento em 2013, Berlusconi e o ministro de Finanças, Giulio Tremonti, apresentaram um duro plano de austeridade à frágil economia italiana.
"Estamos pessoalmente muito chateados em ter de adotar essas medidas", afirmou Berlusconi a jornalistas após o gabinete ter aprovado o plano.
A previsão é de que o ajuste alcance o equivalente a 20 bilhões de euros em 2012 e mais 25,5 bilhões de euros em 2013 em economias, por meio de um misto de cortes de gastos públicos e elevação de impostos, disse o premiê.
O pacote, aprovado em forma de decreto-lei pelo Conselho de Ministros, passará agora ao Parlamento para sua ratificação e, segundo a imprensa italiana, poderia chegar ao Senado já no próximo dia 22 e tem prazo de 60 dias para receber aprovação.
O tamanho dos cortes ressalta quão longe o governo foi desde que os mercados se voltaram para a Itália no mês passado, colocando o país em um estado de emergência semelhante ao grego que poderia minar os mecanismos de socorro financeiro da zona do euro.
O deficit orçamentário italiano vai cair a 1,4% do PIB em 2012, ante 3,8% neste ano, e será eliminado em 2013, afirmou Tremonto, acrescentando que essas metas são "prudentes".
O pacote impôs uma taxação extra de 5% sobre rendas superiores a 90 mil euros e de mais 10% sobre cidadãos que ganham acima de 150 mil euros, bem como um aumento para 20% da alíquota da taxação sobre receitas obtidas com investimentos financeiros, ante os atuais 12,5%.
Outra medida prevista é a antecipação do aumento da idade de aposentadoria para trabalhadoras do setor privado, inicialmente em 2020 e que agora começará em 2016. Há ainda uma lei garantindo que feriados públicos não religiosos sejam celebrados aos domingos para aumentar o números de dias trabalhados.
O plano vai abolir ainda 34 dos 110 governos provinciais da Itália e fundir prefeituras com menos de mil habitantes, disse um porta-voz do prefeito de Roma.
Itália é a "bola da vez" da crise mundial?
Foi preciso a crise da dívida soberana ameaçar a terceira economia do euro – Itália – para a Europa reagir com todas as munições do seu arsenal contra a infecção financeira. A pressão dos mercados financeiros sobre a Itália se intensificava, deixando a segunda nação mais endividada da zona do euro em área de perigo e fazendo as autoridades italianas convocarem reuniões de emergência.A Itália corre o risco de ter o mesmo destino que a Grécia? Com as sucessivas quedas da bolsa de Milão, a crise econômica e o desemprego, além dos efeitos negativos das declarações do governo sobre os mercados internacionais, essa pergunta ecoa dentro e fora do país, com diferentes graus de preocupação.
Jéssica Lopes Nº: 18 3ºC
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