20/08/2011 - 09h55
ONG cria país fictício em que pobreza é total
Existe um lugar que é
o oposto da Pasárgada imaginada pelo poeta Manuel Bandeira. Chama-se Precária e
lá, ao contrário do local da poesia, não há quase nada.
É um país de 180
milhões de pessoas que vivem sem luz, água, comida e moradia. O segundo maior
da América Latina, depois do Brasil.
Essa nação não existe
no papel - mas atraiu a atenção da ONG chilena Um Teto para meu País (www.umtetoparameupais.org.br), que
lançou campanha neste ano falando do Estado ao mesmo tempo imaginário e real.
Precária é a metáfora
das mazelas da América Latina. Entre seus embaixadores, estão às escritoras
Isabel Allende e Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, que falou à Folha
sobre a situação crítica de milhões na região.
Para Bachelet, pouco
se fala de Precária porque é "um lugar de que não gostamos que nos
provocassem culpa". Afinal, aponta os países da região não conseguiram
derrotar a desigualdade social apesar dos avanços econômicos. "Esses
países vêm enfrentando a crise econômica internacional de melhor maneira do que
as grandes economias européias", diz, "mas, enquanto persistir essa
desigualdade, Precária seguirá existindo entre nós".
A ex-presidente
acredita que é possível mudar a situação "tornando visível uma realidade
que está aqui, na próxima esquina". Ela ressalta, também, a importância de
governos, Parlamentos e municípios se comprometer a resolver o que chama de uma
"dívida pendente".
Precária concentra os
dados humanitários das populações carentes do continente. Assim, no país, 45%
da população teriam menos de 18 anos e viveriam em casas com piso de terra, por
exemplo. A entidade acredita que o Brasil tem o dever de servir de exemplo à
região. "É um país que não precisa ser pobre", afirma o advogado
Ricardo Montero, 28, diretor social da ONG no Brasil. "É um país injusto,
e não pobre."
A meta da Um Teto para
meu País é construir mil casas no Brasil até o final do ano. Em toda a América
Latina, eles já mobilizaram 400 mil voluntários para erguer cerca de 80 mil
moradias.
A organização, fundada
em 1997, constrói cem moradias de emergência neste final de semana em São
Paulo, com 1.100 voluntários.
"É um mito que o
jovem brasileiro não quer ajudar os outros", diz Montero. Foram, afinal,
4.000 inscritos para a ação deste final de semana. "Eles estão disputando
para pagar inscrição e passar um fim de semana dormindo no chão, construindo
casas."
Uma organização que tenta ajudar a América latina
faz com que centenas de jovens de regiões diferentes e
até países distantes se mobilizem por uma causa nobre.
Ajudar o próximo sem nenhum interesse mostra
que ainda existem valores dignos de uma pequena parcela da população.
Ao analisar a
precariedade apresentada e a pobreza nesses países leva a pensar em tudo o que
está acontecendo na economia mundial e nas suas conseqüências nessas regiões de
pobreza e falta de assistência dos governantes.
Fonte:
Nome: Camila Domingues Gonçalves Da Silva nº08 3°C
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