sexta-feira, 17 de junho de 2011

Rebeldes líbios rejeitam proposta de filho de Gaddafi para eleições

Rebeldes líbios rejeitaram nesta quinta-feira a proposta do filho do ditador Muammar Gaddafi, Saif al Islam, que teria se oferecido a promover eleições e renunciar caso fosse derrotado. Os Estados Unidos também rejeitaram a oferta. 
"[As eleições] podem acontecer em três meses, no máximo até o final do ano, e a garantia de transparência pode ser a presença de observadores internacionais", disse Al Islam ao jornal italiano "Corriere della Sera". 
Ele acrescentou que o pai está disposto a deixar o poder se perder a eleição, ainda que não pretenda ir para o exílio. 
Os rebeldes, que realizaram um levante quatro meses atrás, disseram que não confiam em um processo político organizado com Gaddafi no poder. 
A liderança rebelde na base de Benghazi rejeitou a oferta do filho de Gaddafi dizendo que ele estava "desperdiçando o nosso tempo." 
"Saif al Islam não está em posição para oferecer eleições. A Líbia terá eleições livres e democráticas, mas a família de Gaddafi não terá nenhum papel neste processo", disse Jalal el Gallal, um porta-voz rebelde à Reuters. 
"Estas pessoas são criminosas com enorme desrespeito pela vida humana. Eles precisam retirar as tropas das nossas cidades, permitir que a ajuda humanitária chegue e eles vão enfrentar a Justiça pelos crimes que cometeram. Só aí é que podemos falar sobre eleições." 
Autoridades do regime de Gaddafi disseram, em ocasiões anteriores, que uma eleição poderia ser parte do acordo para acabar com a crise, ao mesmo tempo em que ressaltavam que o país apoiaria Gaddafi em qualquer votação. 



REJEIÇÃO DOS EUA 
Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano também rejeitou a proposta, dizendo que "é um pouco tarde para isso." 
Estados Unidos, Reino Unido e França --que lideram os ataques aéreos contra as forças de Gaddafi-- confirmaram que não vão parar os bombardeios até que o ditador líbio renuncie. 
A proposta de eleição, mais uma em uma série de movimentações que as autoridades líbias retratam como concessões e que são rejeitadas pelas potências ocidentais como manobras, chega no momento em que a frustração cresce em alguns membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por conta do lento progresso militar. 
Com quatro meses de conflito, os avanços dos rebeldes sobre Trípoli foram lentos, e semanas de ataques aéreos da Otan sobre a base de Gaddafi e outros alvos não conseguiram acabar com o seu regime de 41 anos. 



Jéssica, nº 18



http://www1.folha.uol.com.br/mundo/931102-rebeldes-libios-rejeitam-proposta-de-filho-de-gaddafi-para-eleicoes.shtml

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